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Relato do IX ENGA

        Para quem não pôde estar presente dessa vez, segue um relato detalhado de como foi esse IX Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia!

        Em seu IX Encontro Nacional, entre os dias 12 à 15 de Setembro de 2017, a Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil celebrou, dialogou, circulou, criou, fez rodas de conversa e de capoeira e demonstrou sua capacidade de resiliência nesta edição que convergiu com o VI Congresso Latino Americano de Agroecologia da SOCLA, com o X Congresso Brasileiro de Agroecologia e com o V Seminário de Agroecologia do DF e Entorno, em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
        O inverno se despedia de Brasília em uma sequidão quente, quando integrantes da REGA desceram no Planalto Central, chegando um mês antes do encontro para construir as estruturas e articular a alimentação agroecológica. Após muitos desafios de comunicação entre a Comissão Organizadora Local do CBA e nossa Comissão Organizadora, o sonho começou a tomar forma A importância política do processo de construção desse ENGA foi marcante e por isso, nesta carta política, vamos apresentar um pouco do que foi organizá-lo, pois diz muito sobre nossa proposta de construção do movimento agroecológico brasileiro no atual momento e nossa proposta do que queremos e o que buscamos construir através da relação teórico-prática.
        Quebrando a tradição regueira de ter seus encontros nacionais focalizados por um Grupo de Agroecologia (GA) local, esse ano tivemos outra forma organizativa. Após buscas e chamados por um grupo local, que no final não apareceu, apenas cinco meses antes do evento foi catalisada uma Comissão Organizadora de membros da REGA de todo país. Através de plataformas de Software Livre como Jitsi e Rise Up, começou o trabalho. É importante ressaltar que a possibilidade do cancelamento do encontro foi debatida, já que os moldes de construção agroecológica, base do nosso processo, estavam comprometidos de várias formas.
        Em Brasília armamos as nossas barracas sobre o concreto, em um enorme galpão cinza, em meio ao Parque da Cidade, realidade que contrasta com os encontros anteriores, sempre em meio às árvores. Os maravilhosos banheiros secos e os chuveiros de baixo custo – característicos dos eventos promovidos pela REGA – foram feitos pelo coletivo Bamboo Sapiens. As estruturas eram móveis e foram doadas ao término do evento à organizações locais. Através da articulação com associações, cooperativas locais e agricultores familiares, se garantiu que 95% do alimento tivesse origem orgânica e agroecológica, nutrindo nossos mais de 500 acampados, em 3 refeições diárias, durante os 4 dias do evento, preparadas em turnos autogestionados que começavam às 4 da matina. O custo da inscrição foi entre 60 a 100 reais por pessoa, dependendo dos lotes e incluíram o camping.
        Além da autogestão no preparo da alimentação, os participantes também foram responsáveis por atividades – comunicação, limpeza e harmonização do ambiente – que variaram de acordo com o dia e a cor da pulseira que lhes foi entregue na inscrição. Os resíduos orgânicos, que somaram quase uma tonelada de composto dos banheiros secos e um pouco mais de uma tonelada de alimentos da cozinha, fecharam seu ciclo corretamente por meio da compostagem em leiras, realizada por oficinas práticas com estudantes do curso de Agroecologia, com a parceira local E-cocôs, responsável pela desmontagem e destinação dos resíduos após o encerramento do encontro/congresso para o Instituto Federal de Brasília – Planaltina.
         Compartilhamos acampamento com os demais movimentos sociais do Campo Unitário, incluindo a Via Campesina, MST, MAB, FETRAF, MMC, CONTAG, FEAB e outros. Essa convergência foi um passo em nosso diálogo com a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e fruto da semente plantada no VIII ENGA – Belém, em 2015. Naquele encontro a REGA construiu junto à Via Campesina uma mística no acampamento, a convidando a participar de nossas culturais e construindo o caminho para que mais uma vez, como no I ENGA, os acampamentos tanto dos movimentos sociais, quanto do ENGA fossem unificados.
        No espaço do Congresso fomos responsáveis pela Geodésica da REGA Brasil, com uma programação autônoma e autogerida montada na Trilha do Saber, área externa do Centro de Convenções com acesso gratuito ao público. Foram realizadas atividades de sistematização do conhecimento coletivo e amadurecimento de debates na rede. O tema deste encontro nacional foi aprofundado na roda de conversa Agroecologia pra que(m)?”. Houve ainda o espaço “REGA – Momento Atual, Desafios e Perspectivas para o Futuro; “Apresentação e Mapeamento Colaborativo da REGA” e nossa cultural “Capoeiragem das Manas”, também presente no “Ato Político”, momento este que pautamos como essencial desde o início da construção do CBA. Participamos da construção do ato com o Campo Unitário e, apesar das dificuldades, a manifestação aconteceu, mesmo que reduzida e deixando muito a desejar. Para nós não existe Agroecologia sem resistência política e desde o ato do CBA Belém, que se concentrou mas não saiu, gostaríamos de salientar a necessidade de entender o caráter consultivo versus participativo dos movimentos sociais nos processos de construção dos CBAs.
        Nas atividades do CBA, onde reafirmamos nossa parceria com a Associação Brasileira de Agroecologia, realizamos com a Via Campesina a Plenária das Juventudes da América Latina pela Agroecologia, que contou com pessoas de diversas origens, entidades e movimentos, entre eles: FEAB, PJR, MPA, MST, CONTRAF, CONAQ, ABEEF, representantes de comunidades quilombolas, indígenas de 3 povos do Mato Grosso, Colômbia, Uruguai, Juventude Comunista da Argentina, Holanda e estudantes e professores de diversas universidades públicas do Brasil. Também tivemos representantes nas atividades “Sem Feminismo não há Agroecologia”; “Feminismo e a Agroecologia: Mulheres em luta contra a violência sexista” que debateram entre outros pontos importantes, como formar diálogos entre mulheres dos vários segmentos da luta, de modo que se possa discutir como é o feminismo para diferentes classes, diferentes idades e culturas. Realizamos também em parceria com a Embrapa, a Rede Internacional Sementes da Liberdade e a ANA, o Encontro Internacional de Guardiões e Guardiãs de Sementes Crioulas com a ilustre presença de nossos convidados da CicloVida com Ivânia e Inácio, do Ceará, que compartilharam o acúmulo sobre sementes crioulas e trouxeram o debate da autonomia e da garantia de alimentos saudáveis, livres dos transgênicos e agrotóxicos.
        Assim, trabalhando os princípios da Rede: Anticapitalismo, Autonomia, Autogestão, Horizontalidade, Decisão por consenso e Coerência teoria-prática, ergueu-se a estrutura metodológica para nossos espaços. Durante o encontro, reforçamos também nossa re-existência, semeando mentes livres e buscando mais uma vez nos colocarmos de forma ativa na construção biodiversa de um caminho combativo e resiliente.
Brasília, 2017
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Carta Política do IX ENGA

Agroecologia pra que(m)?

        “Esse ano o ENGA foi grande!” Foi grande, dizemos, porque em 2017, o Encontro Nacional dos Grupos de Agroecologia foi articulado dentro de uma estrutura maior, que interligou o X Congresso Brasileiro de Agroecologia, o VI Congresso Latino-Americano de Agroecologia e o V Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno, reunindo mais de 5000 participantes, entre estudantes, educadoras/es, pesquisadoras/es, agricultoras/es e convidadas/os de toda a América Latina. Pela primeira vez a REGA entrou oficialmente como apoiadora da Comissão Organizadora do CBA, desafio que nos trouxe muitos aprendizados e questionamentos, demonstrando que precisamos refletir com profundidade sobre os objetivos e as intencionalidades de nossas parcerias com outras organizações do movimento agroecológico. Assim como no I ENGA, em Curitiba – PR (2009), nesse ano compartilhamos o acampamento com os movimentos sociais do Campo Unitário, incluindo a Via Campesina, MST, MAB, FETRAF, MMC, CONTAG, FEAB, entre outros, demonstrando a importância de diálogo e aproximação entre as diversas organizações que carregam a bandeira da Agroecologia.
        A dimensão, orçamento e desenho deste mega-evento, justamente em um momento em que a Agroecologia está sofrendo um processo de institucionalização e cooptação, reforçou a necessidade de levantarmos como temática central: Agroecologia pra que(m)?
       Assim como as preocupações ecológicas e ambientais de modo geral, a noção de Agroecologia tem nos dias de hoje uma forte ambivalência, sendo incorporada por um número cada vez maior de agentes e instituições com os mais diversos interesses. Desde que a FAO “reconheceu” a agroecologia em 2014, vemos por parte de instituições conservadoras tentativas de apropriação e cooptação que buscam transformá-la em mais uma técnica do “capitalismo verde” e do “desenvolvimento sustentável”, esvaziando seu conteúdo político e buscando subordinar conhecimentos tradicionais milenares à lógica do mercado “ecológico”.
        Em todo o mundo, vivemos um contexto de crise do modelo civilizatório capitalista que se manifesta no Brasil através da atual crise política e econômica. Neste cenário percebemos a insuficiência das propostas políticas da esquerda tradicional, incapaz de elaborar novos projetos de sociedade para além da lógica estatal, desenvolvimentista e reformista. Acreditamos que são as organizações populares horizontais e auto-organizadas que tem potencial para criativamente trilhar caminhos alternativos a este modelo.
        Entendemos que a Agroecologia se desenvolveu a partir da sabedoria dos mais variados povos em conexão com a natureza, que resistiram e seguem resistindo contra a expansão do capitalismo no campo. É apenas através da mobilização permanente de organizações populares comprometidas com a Vida e que buscam transformações sociais emancipatórias que a chama da Agroecologia pode se manter acesa. Assim, buscamos honrar essa ancestralidade, pautando o debate sobre o papel da Agroecologia na atualidade e os diferentes caminhos e formas de luta necessárias para a superação dos obstáculos da sociedade em que vivemos da forma mais ampla possível.
        Neste IX ENGA reafirmamos que “sem anticapitalismo não há Agroecologia!” pois as mudanças que sonhamos não se realizarão sob esse sistema. Enquanto Rede, tecemos o compromisso de construir em nossos grupos e coletivos um horizonte para a “transição agroecológica” em direção a uma mudança sistêmica para uma nova sociedade com indivíduos e coletivos emancipados e livres, baseada na Vida, na diversidade, na abundância e na justiça social para autodeterminação de todos os povos.
        Da mesma forma, reafirmamos que “sem feminismo não há Agroecologia!”, pois é inegável o papel histórico das mulheres na construção do saber-fazer agroecológico, na defesa dos bens comuns e na resistência ao avanço do capital sobre nossos corpos e nosso trabalho. Salientamos que o patriarcado é elemento estruturante da dominação, e que soluções horizontais devem incorporar os aprendizados vindos dos debates e práticas feministas. Nos comprometemos a valorizar o conhecimento das mulheres e catalisar a organização política de nossas irmãs, fortalecendo sua articulação em rede, a busca por autonomia econômica e política, e buscando ampliar os instrumentos de autodefesa e combate severo à violência patriarcal, machista e sexista nas esferas privadas, públicas e não formais.
        Entendemos também que a luta de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e trabalhadores rurais é essencial para toda a sociedade, e encontra-se em um momento extremamente vulnerável frente ao renovado interesse de empresas transnacionais pelas terras tropicais, acompanhada à crescente perda de direitos que vemos no nosso país. Percebemos um aumento da violência e dos massacres no campo que visam a expropriação de terras e a subordinação da lógica tradicional de produção à lógica competitiva do mercado. Assim, as lutas por reconhecimento e demarcação de terras e contra mega-projetos está na ordem do dia, sendo também nosso papel denunciar a manipulação da grande mídia na glamourização das atividades de mineração e hidrelétricas. Afirmamos o compromisso de denunciar a criminalização de movimentos camponeses e de movimentos sociais de luta, que vem sofrendo perseguições arbitrárias e ataques cada vez mais violentos.
       É preciso mais do que nunca apontar a insuficiência das reformas agrária e urbana nos moldes atuais e avançar nas lutas por acesso e uso da terra. Nesse sentido, o debate entre via reformista e via revolucionária precisa ser renovado e aprofundado. Discutimos durante o IX ENGA a importância da união e fortalecimento dos elos de ligação entre todos os povos, e a aproximação das lutas rurais e urbanas para fortalecimento mútuo. A luta pela distribuição das terras no campo é a luta contra a especulação imobiliária nas cidades; A luta contra a intoxicação de trabalhadoras/es rurais é a luta contra a intoxicação de trabalhadoras/es urbanos, pois os agrotóxicos e transgênicos já contaminam todo o Brasil. É preciso fortalecer as cooperativas de consumo evidenciando que a separação entre trabalhadoras e trabalhadores rurais e urbanos não pode existir, incentivar as iniciativas de agricultura urbana e permacultural para redesenho das cidades e promover a jardinagem de guerrilha como forma de ocupação dos espaços públicos urbanos e fortalecimento de vínculos comunitários. É também de grande importância a luta pelo reconhecimento institucional da transição agroecológica na extensão rural. Sabemos que somente através da união consciente se consegue mais respeito e se preserva a cultura da sociedade.
        Reconhecemos que ainda precisamos amadurecer nossas construções em relação às questões étnico-raciais, tanto em espaços de debate quanto em atitudes e práticas cotidianas – individuais e coletivas. Nesse IX ENGA, mais uma vez recebemos o alerta sobre esta necessidade, com a leitura da carta do GT Negritudes que denunciou atitudes racistas ocorridas durante o VIII ENGA (Bananeiras-PB) e durante o Congresso de Brasília. Os grupos e coletivos da Rede devem tomar atitudes concretas para o amadurecimento e construção de um caminho anti-racista realmente consciente e coerente.
         É sempre essencial buscarmos formas para viabilizar a permanência da juventude no campo, garantindo o intercâmbio e valorização tanto do meio rural quanto do urbano. Toda a juventude, rural e urbana, deve ter acesso a uma educação emancipadora a serviço da transformação, que abra a possibilidade de cursar o ensino superior. Denunciamos o corte de 80% (10 milhões para 2 milhões) nos recursos do PRONERA, o que interfere diretamente na permanência dos estudantes que vem do campo nas Universidades. Reafirmamos a necessidade de garantir a diversidade dentro das Universidades, e seguimos criticando algumas das metodologias elitistas, conservadoras e pouco holísticas que ainda predominam no ensino superior.
       No âmbito das sementes, discutimos que a legislação não facilita o acesso das Sementes Crioulas aos pequenos produtores. É essencial seguirmos criando materiais informativos para a sociedade em geral conscientizar-se da importância das sementes crioulas e da prisão que siginificam as sementes patenteadas transgênicas. A REGA afirma seu compromisso de seguir incentivando o intercâmbio de conhecimentos através das feiras de trocas de mudas e sementes.
         Agradecemos a todos os membros dos Grupos de Agroecologia presentes que construíram esse IX Encontro, pelo compromisso na participação nos espaços autogestionados do ENGA; às guerreiras e guerreiros que chegaram com antecedência para construir todo o pré-ENGA, à Bamboo Sapiens pela força na construção dos banheiros secos, às agricultoras e agricultores que produziram os alimentos orgânicos e agroecológicos que nos nutriram tão bem durante os 4 dias de Encontro e à todos e todas que participaram e se envolveram com nossas atividades! É hora de voltar pra casa e fortalecer nossos grupos e coletivos em suas ações locais e de base pois é debaixo pra cima que a REGA constrói sua força.
        Sonhamos e nos comprometemos a construir nos próximos encontros espaços de protagonismo infantil; a ampliar a participação de nossos irmãos e irmãs de comunidades indígenas, tradicionais, agricultores/as e trabalhadoras/es do campo; a deixar frutos positivos e concretos com nossos Encontros por onde passarmos, mobilizando células locais, escolas, faculdades, movimentos, coletivos, associações, sindicatos, conselhos e fóruns locais.
        Nós e as futuras gerações colheremos os frutos das sementes que estamos plantando hoje. Portanto, nossa construção política é teórica e prática no presente, sem deixar de ter consciência do passado e do que queremos para o futuro. Nossa Agroecologia é popular e autônoma, nos posicionamos contra qualquer tentativa de apropriação por interesses políticos e econômicos que buscam a criação de novos mercados para as velhas práticas de exploração social. A liberdade só existe quando plantamos as sementes férteis de forma consciente, autônoma, coletiva e diversa. Olhos nos olhos, com o peito aberto para os afetos, damos as mãos para potencializar a união e a diversidade de pessoas, experiências, sabores e sotaques desta ciranda da vida. Afirmamos nosso caminho de construção no saber-fazer agroecológico comprometido com todos os seres.
     “Eu vou plantar, eu vou colher, eu vou regar/A semente da mudança vai agora germinar!”
Noites de lua minguante,
chama e fogueiras acesas, embalo do côco e de roda,
berimbau e capoeira,
hip-hop, samba, poesia e pagode,
cantando a luta e a união,
alimentando as águas, a terra, o amor no coração
Brasília, 2017

Kombosa Me CarREGA

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A Caravana Cultural e Agroecológica Kombosa me CarREGA é fruto de uma caminhada histórica de Marília Cucolicchio e Bela Ladeira junto à Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil (REGA). Com o propósito de continuarem contribuindo com a Rede após concluírem suas graduações, decidiram somar seus sonhos pessoais de viajar pelo Brasil trabalhando com Agroecologia aos objetivos que visam fortalecer as ações da REGA.

A viagem teve início no mês de Novembro de 2016 rumo à Paraíba, tendo como ponto de partida o VIII Encontro Nacional dos Grupos de Agroecologia – ENGA, em Bananeiras-PB entre os dias 16 a 20 de dezembro.

Desde então Bela e Marília estão viajando em uma Kombi, adquirida através de uma campanha de financiamento colaborativo, que está sendo sua casa por pelo menos 2 anos. Neste período elas estão conhecendo, vivenciando  e registrando as mais  diversas experiências agroecológicas encontradas por todo o Brasil, levando a bordo o que elas tem de melhor para trocar. O objetivo do projeto é contribuir para a consolidação da agroecologia no Brasil, promover a convergência entre os GAs e contribuir na elaboração de pautas políticas que orientem as ações dos GAs, de forma a seguir tecendo nossa Rede, fortalecendo seus diversos pontos e divulgando a agroecologia de maneira ampla e lúdica.

Para saber mais sobre o projeto e acompanhar todo o trajeto com relatos, vídeos e fotos, acesse:

Facebook: https://www.facebook.com/kombosamecarrega/

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCKx-aur92MKjpViaC1OOt7A

Blog: http://kombosamecarrega.wixsite.com/agroecologia

II ERGA – Sul

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Convocatória rumo ao II Encontro Regional dos Grupos de Agroecologia do Sul!

02 a 05 de novembro de 2017

Durante os dias 26 a 29 de Maio de 2016 aconteceu no Camping do Parque Estadual do Rio Vermelho em Florianópolis/SC, o I Encontro Regional de Grupos de Agroecologia do Sul. Auto organizado pela Rede dos Grupos de Agroecologia do Brasil (REGA Brasil), o encontro contou com a presença de cerca de 270 pessoas, fomentando a (re)organização dos grupos de agroecologia da região sul, bem como o fortalecimento e formação de novos grupos. O evento possibilitou o encontro entre as pessoas envolvidas com a luta agroecológica, gerando o (re)conhecimento das demandas regionais e enriquecimento do debate nacional.

Para seguir facilitando os laços e fortalecendo a articulação entre os grupos, o II Encontro vem aí e será facilitado pelo Grupo de Agroecologia (GAE-UFPel), entre os dias 02 e 05 de novembro de 2017, na região de Pelotas/RS.

O GAE é formado por estudantes de diversos cursos da Universidade Federal de Pelotas e tem mais de 20 anos de histórias e resistência. A autogestão e a autonomia estudantil na atuação do grupo caracterizam nossa trajetória, nos mostrando que só através da organização coletiva, tornamo-nos capazes de fortalecer o movimento de luta pela agroecologia.

É evidente que a atividade agroecológica não deve ser dissociada do movimento político bem como da ciência e da extensão, por isso buscar uma prática coesa é procurar na ação a práxis. O cenário atual é preocupante: Uma crise econômica em curso e o ajuste fiscal imposto por um governo ilegítimo, que acaba com as expectativas e possibilidades de uma vida livre e justa para as(os) trabalhadoras(es) da cidade e do campo, privatizando as condições básicas de sobrevivência e retirando nossos direitos conquistados ao longo dos anos através da luta. Agir a favor da mudança é reagir contra esta realidade. VAMOS juntos CONSTRUIR O II ERGA SUL, EM BUSCA DA TRANSIÇÃO!!

|| O que queremos com o II ERGA Sul? ||

Aproximar a prática da realidade é uma tarefa importante, por isso na escolha do local sede optamos pela propriedade de uma família parceira de agricultores que está em processo de transição agroecológica. Achamos que a construção do II ERGA Sul neste local resultará em ganhos transformadores para as/os participantes e para as/os agricultoras(es) da região, fortalecendo nossa rede, através da vivência e troca de conhecimentos entre todas as pessoas envolvidas.

Com o objetivo de dar rumo às nossas práticas e espaços de diálogo, o tema gerador deste encontro será “A Transição Agroecológica como ferramenta para o desenvolvimento territorial e a permanência da juventude no campo”.

|| Construção ||

Te convidamos a participar do espaço que dedicaremos a construção, diálogo, formação política e trabalho em torno da temática e expectativas para o II ERGA Sul. Estes momentos acontecerão aos finais de semana na colônia Santo Amor em Pelotas. Se tu te interessas em participar entre em contato pelo email gaepelotas@gmail.com, ou pela página no facebook – facebook.com/gaeufpel.

Conversando e usando metodologias participativas para sistematizar de forma horizontal nossas ideias, pretendemos fazer destes momentos um espaço para conhecer e praticar as dinâmicas de diálogo coletivo. Desde o princípio nos baseamos na seguinte pergunta: “Buscando colher os frutos que almejamos, quais sementes plantar?”. Gostaríamos de convidá-las(os) a contribuir com esta história e participar de mais um momento de imersão agroecológica em busca desta resposta! Contamos calorosamente com a presença dos grupos e das pessoas que tiverem disponibilidade em participar destes momentos conosco!

|| Primeiras orientações ||

Buscamos realizar o Encontro com o menor custo possível. O Valor da inscrição inclui todas as refeições e transporte para vivências;

Inscrições pelo link: https://docs.google.com/…/1FAIpQLSdEeHQ69s4GxtN54-…/viewform

Valores da inscrição:

1ª LEVA: 50 reais até dia 14 de outubro
2ª LEVA: 70 reais até o dia 1º de novembro
NO DIA DO ENCONTRO: 90 reais

Conta POUPANÇA para depósito: Banco do Brasil

Conta poupança: 57.004-4
Ag: 0755-2
variação: 51
Cassia Martins Ferreira

Lembramos que o pagamento antecipado é importante para melhor recebê-los!

Caso necessário solicitar número do CPF

|| Outras informações ||

Prepara a barraca, cobertas, prato e talheres, instrumentos musicais, ferramentas e se possível algum alimento, mudas e/ou sementes para a partilha! O acampamento será em local aberto, então é importante vir preparado/a para o convívio direto com a natureza.

Não serão aceitas atitudes machistas, homofóbicas, racistas, ou qualquer tipo de preconceito e intolerância. Opressores não passarão!

Informativos com outros detalhes sobre o II ERGA Sul na página do GAE (facebook.com/gaeufpel) e no evento: https://www.facebook.com/events/1430214957000119/?acontext=%7B%22action_history%22%3A%22[%7B%5C%22surface%5C%22%3A%5C%22page%5C%22%2C%5C%22mechanism%5C%22%3A%5C%22page_upcoming_events_card%5C%22%2C%5C%22extra_data%5C%22%3A[]%7D]%22%2C%22has_source%22%3Atrue%7D

Para maiores informações sobre os encontros da REGA, acesse: https://regabrasil.wordpress.com/nossos-encontros/

Encerrado o 2º lote das inscrições para o VIII ENGA

 

A partir do dia 11/12 começa a vigorar o 3º lote das inscrições para o evento, que vai até o dia 15/12. Não percam as inscrições!

INSCRIÇÕES

Categoria 2º lote (de 21/11 a 10/12)ENCERRADO! 3º lote (de 11/12 a 15/12)
Agricultoras/es e comunidades tradicionais Isentos* Isentos*
Técnicos CAVN** R$ 40,00 R$ 50,00
Público em Geral/Graduação R$ 70,00  R$ 80,00
Pós-graduação R$ 80,00   R$ 90,00
Docentes R$ 110,00 R$ 120,00
 Categoria  No dia do evento
 Agricultoras/es e comunidades tradicionais  Isentos*
 Técnicos CAVN**  R$ 60,00
 Público em Geral/Graduação  R$ 90,00
 Pós-graduação  R$ 100,00
 Docentes  R$ 130,00

* Isentos mediante comprovação no ato de credenciamento.

** Será necessária comprovação a partir de documentos que comprovem o vínculo do participante com o Colégio Agrícola Vidal de Negreiros.

*** Enviem os comprovantes de pagamento da taxa de inscrição para o e-mail regabrasil@gmail.com para confirmarmos as inscrições

VAGAS LIMITADAS!

Por questões de infraestrutura, o evento terá capacidade para acolher até 250 pessoas.Portanto, caso o número de inscrição exceda o limite, será dada preferência aos membros de coletivos e agrupamentos organizados de agroecologia.

Faça sua inscrição clicando aqui.

Informações para depósito do valor referente à inscrição:

Em nome de Tatiana Weckeverth Furquim
Banco do Brasil
Ag. 3850-4 Conta Poupança: 18.162-5 Variação 51
(qualquer dúvida referente à conta, entre em contato (41)9728-3373 [só Whatsapp])
* Atentem para o fato de que a conta acima é poupança, portanto no momento da transferência deve-se prestar atenção ao tipo da transferência a ser feita (corrente -> poupança ou poupança -> poupança)

Dúvidas e informações:

regabrasil@gmail.com

Giovana Araújo: (83) 99896-8325

Katarine Silva: (83) 9.9934-1441

Chamado aos Grupos de Agroecologia do Brasil para participação no VIII Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia – ENGA

          O VIII Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia ocorrerá entre os dias 16 e 20 de dezembro no campus III da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), localizado em Bananeiras/Solânea-PB. O ENGA surgiu a partir da necessidade dos diversos grupos de agroecologia brasileiros de constituírem um espaço formativo teórico e prático que congregasse e agregasse a diversidade de Agrupamentos e Coletivos de Agroecologia, a partir do qual pudessem se comunicar e trocar experiências em espaços horizontais onde tenham abertura para a experimentação de metodologias outras e onde tenham autonomia. Procurando a articulação e o fortalecimento destas interações e relações foi criada a Rede de Grupos de Agroecologia (REGA Brasil), que atualmente se encontra frutificando e amadurecendo. O ENGA é um evento mais amplo que busca ser um espaço de interação e aproximação da Rede com pessoas e Grupos de Agroecologia que praticam e pesquisam, ou têm interesse em temas relacionados à agroecologia, elevando o debate do movimento agroecológico, propagando ideias, práticas e iniciativas sustentáveis e trocando e aprimorando experiências metodológicas e aprendizagem coletivas. Busca enfatizar a dimensão política da agroecologia a partir do estímulo à organização e articulação nas e entre as iniciativas agroecológicas, nos grupos, coletivos, organizações,  agrupamentos, redes e movimentos envolvidos na construção da agroecologia dentro e fora do meio acadêmico. O encontro é construído e realizado de forma horizontal e autogestionada pelos coletivos, com a intenção de fomentar a partir do trabalho coletivo o apoio e fortalecimento mútuo. A REGA não possui patrocínios, além das parcerias que estabelece e contribuições, das mais variadas, que recebe. A Rede e os encontros são financiados em grande medida a partir das contribuições financeiras dadas no pagamento das inscrições dos eventos, sendo assim, a partir da própria inscrição, cada qual já começa a contribuir com a co-construção do evento. 

         A partir do presente ano a REGA começou a promover a realização dos Encontros Regionais de Grupos de Agroecologia (ERGAs) com a intenção de fomentar a constituição de Articulações Regionais que dêem maior caráter e significação local e regional para a constituição de laços em rede. O IV Sementário da REGA realizado em Pernambuco e o VIII ENGA na Paraíba são marcos e trazem consigo a intenção de uma maior aproximação e enraizamento da REGA em território nordestino. Tendo  em vista que a região nordeste historicamente vem gestando e alicerçando uma série de experiências concretas no âmbito das lutas camponesas e na consolidação do movimento agroecológico, temos também essa intenção de trocar e aprender com as “ricas” experiências regionais.

          A temática deste ano, intitulada “Monoculturas da mente x Agroecologia de saberes”, traz o debate sobre o monocultivo no Brasil, e como essa prática afeta o cenário social,  político, econômico, cultural e educacional brasileiro. A monocultura traz consigo, além dos impactos ambientais irreversíveis a longo prazo, a questão da desigualdade na distribuição de terras, tendo em vista que o latifúndio e o monocultivo são interdependentes e ainda ocupam grande parte do nordeste do país. O tema busca relacionar como este modelo político e econômico monocultor no campo esta relacionado ao modelo “monocultor de mentes” que prepondera as universidades e instituições de ensino, as quais costumam estar condicionadas a adestrar pessoas para o mercado de trabalho a partir das demandas meramente tecnocráticas, ao invés de suscitar espaços para o livre pensar e a formação de senso crítico. Em contrapartida a essa triste realidade ainda pulsante em nossa sociedade, temos a agroecologia, que traz a diversidade nas suas raízes. A  diversidade é o principal aporte para o desenvolvimento sustentável, pois é através dela que ocorre o resgate dos saberes tradicionais e onde todas as formas de vida tem sua condição e seus tempos respeitados. É  nesse contexto de conflito que convidamos as pessoas estudantes de agroecologia, as agricultoras e os agricultores, povos indígenas e povos de comunidades tradicionais  a se mobilizarem para buscar propostas e alternativas de organização frente ao cenário político atual. É através do ENGA que unimos forças e estratégias para fortalecer e ampliar os laços que tecem a agroecologia.

O TERRITÓRIO DO NOSSO VIII ENGA

          Estamos localizados no brejo, Planalto da Borborema na Paraíba, terra de muitos encantos e muita luta. Hoje, é o estado onde mais se concentra cursos de Agroecologia, terra de Elizabeth Teixeira e João Pedro Teixeira sujeitos fundamentais na organização das Ligas Camponesas, lutadoras e lutadores “arrochadas” que firmaram o pé contra a exploração dos latifundiários às trabalhadoras/es rurais nas monoculturas da cana de açúcar. Neste mesmo contexto de resistência campesina, somos a terra de Margarida Maria Alves, mulher e campesina, que lutou pelos direitos trabalhistas durante a ditadura militar. Mulher de Luta que foi cruelmente assassinada ao questionar o uso de produtos químicos nas plantações, inspiração da Marcha das Margaridas, movimento que reúne mulheres organizadas num ato de resistência pela Agroecologia. Assim, com muitas pessoas lutadoras, a Paraíba vem tecendo a rede que rege nossa luta pela Agroecologia e o Biopoder camponês. Neste contexto histórico, social e político que vem balançando a rede agroecológica, com as organizações sociais rurais, movimentos feministas, lutas e resistência das comunidades tradicionais e estudantes, todos buscando uma nova construção de saberes, os Saberes Agroecológicos, que o Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia está sendo catalisado. O chamado, portanto, é de luta e construção!  

“É melhor morrer na luta, do que morrer de fome” Margarida Maria Alves

O Espaço “ENGUINHA”

          Teremos um espaço dedicado às atividades lúdicas e práticas para as crianças que participarão para o encontro. Nesse espaço serão desenvolvidas atividades como oficinas, rodas de conversas, místicas, brincadeiras e práticas relacionadas também a temática do encontro.

          Para aquelas pessoas que virão com suas crianças para o evento, pedimos que seja preenchido, no formulário, informando a quantidade de crianças  e o tipo de alimentação que as crianças consomem (se são veganas ou vegetarianas).

CARAVANAS AGROECOLÓGICAS

              Seguindo a dinâmica dos eventos passados, as Caravanas Agroecológicas continuam sendo a melhor forma de transporte, estimulando o apoio mútuo e a integração entre pessoas de diferentes regiões mas que têm o mesmo destino final: o VIII ENGA!

            A ideia é que entre o ponto de partida e o ponto de chegada, as pessoas ao longo deste percurso possam aproveitar esta carona e integrar as caravanas, viabilizando o transcurso, estimulando o apoio mútuo e a solidariedade entre os coletivos, atitudes/gestos indispensáveis para fortalecer as relações que tecem a rede agroecológica. Seja em transportes alugados, seja em veículos particulares, ou mesmo nos ônibus disponibilizados pelas universidades/faculdades, devemos nos esforçar para formar as Caravanas. A união faz a força, a união é a força!

        Assim, para que essa mobilização aconteça de forma autogestionada, criamos um grupo “Caronas Agroecológicas 2016 (VIII ENGA – Bananeiras/PB)” no Facebook.

          Quem estiver precisando de uma carona e quem tiver vagas para oferecer caronas pode colocar aqui e, a partir disso, se comunicar para combinar!

O QUE TRAZER?

          Bananeiras  apresenta um clima temperado e tendo em vista as instabilidades climáticas é bom estar preparada/o para tais  alterações. O  clima é confortável e uma característica marcante da região é o vento e as chuvas durante a madrugada. Tragam equipamento de camping, rede/sacos de dormir; é importante trazer agasalhos para o período noturno e roupas leves para o dia pois a oscilação climática é bastante presente. Também é importante trazer roupas de trabalho, incluindo calça e bota para proteção da perna, chapéu/boné e itens de proteção para o sol, repelente, se possível ferramentas de trabalho (facão, enxada, etc), lanterna, guarda chuva e/ou capa de chuva. Não esqueçam seus talheres, prato e copo e seus produtos de higiene pessoal, de preferência com ingredientes naturais.

          Teremos uma cozinha coletiva para o preparo dos alimentos e a ideia é que todos os grupos tragam alimentos das suas regiões para compartilharmos: sementes, tubérculos, processados, temperos e aromas de todos os cantos do Brasil para contribuir com a alimentação. A campanha Plante o ENGA intenciona estimular que os grupos plantem os alimentos destinados a serem colhidos para o encontro e/ou tragam os conseguidos com os agricultores de suas respectivas regiões para compartilharmos a diversidade de saberes e sabores no momento do encontro. Durante o evento acontecerá uma feira com exposição do artesanato produzido na região e de outras regiões, haverá também a troca de sementes crioulas.

        Esperamos de braços e ferramentas a postos para receber a todas e todos que compartilham  sonhos e projetos visando a construção e compartilhamento de saberes, o resgate  da diversidade, o fortalecimento e empoderamento da mulher e a construção de um novo modelo de sociedade.

“Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância.” Simone de Beauvoir.

INSCRIÇÕES

Categoria 2º lote (de 21/11 a 10/12)

ENCERRADO!

3º lote (de 11/12 a 15/12)
Agricultoras/es e comunidades tradicionais Isentos* Isentos*
Técnicos CAVN** R$ 40,00 R$ 50,00
Público em Geral/Graduação R$ 70,00  R$ 80,00
Pós-graduação R$ 80,00   R$ 90,00
Docentes R$ 110,00 R$ 120,00
 Categoria  No dia do evento
 Agricultoras/es e comunidades tradicionais  Isentos*
 Técnicos CAVN**  R$ 60,00
 Público em Geral/Graduação  R$ 90,00
 Pós-graduação  R$ 100,00
 Docentes  R$ 130,00

* Isentos mediante comprovação no ato de credenciamento.

** Será necessária comprovação a partir de documentos que comprovem o vínculo do participante com o Colégio Agrícola Vidal de Negreiros.

*** Enviem os comprovantes de pagamento da taxa de inscrição para o e-mail regabrasil@gmail.com para confirmarmos as inscrições

VAGAS LIMITADAS!

          Por questões de infraestrutura, o evento terá capacidade para acolher até 250 pessoas. Portanto, caso o número de inscrição exceda o limite, será dada preferência aos membros de coletivos e agrupamentos organizados de agroecologia.

Faça sua inscrição clicando aqui.

Informações para depósito do valor referente à inscrição:

Em nome de Tatiana Weckeverth Furquim
Banco do Brasil
Ag. 3850-4 Conta Poupança: 18.162-5 Variação 51
(qualquer dúvida referente à conta, entre em contato (41)9728-3373 [só Whatsapp])
* Atentem para o fato de que a conta acima é poupança, portanto no momento da transferência deve-se prestar atenção ao tipo da transferência a ser feita (corrente -> poupança ou poupança -> poupança)

Dúvidas e informações:

regabrasil@gmail.com

Giovana Araújo: (83) 99896-8325

Katarine Silva: (83) 9.9934-1441

8º ENGA

 

VIII Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia:

Monoculturas da Mente x Agroecologia de Saberes

O Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia (ENGA) surge a partir da proposta e iniciativa dos chamados “Grupos de Agroecologia” (GA’s). Há décadas os GA’s se constituem de forma autônoma nas universidades, protagonizados por estudantes das mais diversas áreas do conhecimento, com a intenção de estudarem, pesquisarem e praticarem a Agroecologia. Os Grupos de Agroecologia, e por conseguinte o ENGA, são indícios da insatisfação com relação à razão instrumental predominante nas escolas, cuja abordagem não proporciona uma reflexão acerca da finalidade do conhecimento técnico e científico que é gerado nestes espaços. Essa falta de reflexividade acerca da finalidade da produção do conhecimento faz com que grande parte da demanda tecnológica, das metodologias, do processo educativo e de produção do conhecimento se direcionem meramente ao adestramento para o mercado de trabalho e a fins tecnocráticos, mercantis e industriais. Os cursos das ciências agrárias, por exemplo, possuem uma matriz curricular na qual prepondera uma visão de agricultura e de “des-envolvimento” rural voltado a uma perspectiva industrial e capitalista (Agronegócio), baseada no pacote tecnológico da “Revolução Verde”, no latifúndio, na monocultura e na produção de commodities para exportação, em uma lógica meramente voltada ao lucro.

Mas afinal, por que estudamos/pesquisamos? Qual a finalidade do conhecimento que produzimos? Para que e para quem servem? Quais as relações de poder e os interesses estão presentes nas escolas/ universidades?
Qual o direcionamento de nossa formação profissional?

Nesse sentido é que se propõe o tema “Monoculturas da Mente x Agroecologia de Saberes”. Em oposição à razão instrumental se faz necessário estabelecermos espaços de construção de uma razão crítica que estimule a reflexão sobre qual a universidade, qual a educação, e mais especificamente qual a educação em agroecologia, queremos construir – seja qual for o espaço educativo, em baixo do pé de goiabeira ou na sala de aula. Qual Agroecologia e, em última instância, qual projeto de sociedade almejamos construir? Para construir esse projeto Agroecológico é necessário uma concepção formativa que leve a construção de um senso crítico e a constituição de espaços do livre pensar que desenvolvam a consciência e que abarquem a diversidade de saberes e perspectivas.

O ENGA surge como um espaço construído a fim de proporcionar a práxis pedagógica, ou seja, com a finalidade de ser um espaço de se experienciar e colocar em pratica um conteúdo reflexivo e teórico e vice-versa. Proporcionar a reflexão sobre o que fazemos e praticar o que pensamos. Além disso, o ENGA surgiu a fim de possibilitar o encontro e a articulação da diversidade de Grupos de Agroecologia que têm protagonizado a construção dessas perspectivas outras da razão e do conhecimento, de modo a exercitar esses outros métodos de aprendizagem horizontal: mútuos e compartilhados. O ENGA é um espaço de intercâmbios e vivências desses conhecimentos, saberes e sabores que, de modo geral, não costumam ser abordadas na educação convencional e na sociedade em geral. A fim de manter as articulações e o fortalecer estas interações e relações foi criada a Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil (REGA Brasil).

O encontro também constitui-se em um laboratório microssocial de construção e desconstrução, tanto subjetiva como coletiva, com a finalidade de sairmos do automatismo da “normalidade” posta na vida em sociedade e para a experimenta-ação de relações sociais outras, afinal a Agroecologia não trata-se somente de uma mudança técnica, mas de todo um conjunto de relações e interações socioculturais, éticas, políticas, econômicas e ecológico-ambientais. Nesse marco é que temos a proposta da convivência horizontal, organização e atuação autogestionada, colocando em cheque as relações hierárquicas e desiguais em sociedade, do “mandar e obedecer”, da exploração mútua, da competição e do individualismo. A intenção é de criar um senso de coletividade e solidariedade. É importante frisar que autogestão, muito diferente do “deixar rolar” e do espontaneísmo, pressupõe ORGANIZAÇÃO coletiva, ou seja, pressupõe um despertar de uma disciplina individual consciente a fim de inserir-se nas dinâmicas coletivas, conscientizando-se de sua importância na constituição do TODO, que é o coletivo – tal qual nosso organismo, que é um aglomerado de células e órgãos em sintonia e comunica-ação em prol da constituição do corpo. Estas são questões importantes a serem mencionadas, pois elas fazem parte de nossa práxis educativa agroecológica, a fim de repensarmos como nós nos inserimos em sociedade, pois consideramos que o processo, o modus operandi, é parte fundamental na construção da Agroecologia de Saberes em contraposição às Monoculturas da Mente.

O modo que iremos nos relacionar e agir no mundo demonstram a finalidade do que almejamos construir enquanto Movimento Agroecológico.

Dinâmica dos espaços programáticos

O evento e seus espaços programáticos têm inspiração em metodologias participa-ativas que promovem o diálogo, a interação e os intercâmbios entre as/os participantes. Pedimos às/aos mediadoras/es e participantes das Rodas de Prosa que registrem os acúmulos dos espaços em relatorias para que elas sejam partilhadas no momento da Plenária FInal e para que elas possam contribuir na construção da Carta Política do encontro.

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Renovando forças e ampliando conexões na região Sul: a experiência do ERGA-Sul!

O Encontro Regional de Grupos de Agroecologia, o ERGA-Sul, reuniu mais de 230  pessoas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

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O clima frio não espantou as caravanas e comboios que chegaram ao camping do Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis (SC), local escolhido para a realização do I Encontro Regional de Grupos de Agroecologia da Região Sul. Estudantes, técnicos/as, educadores/as e membros de diferentes grupos, redes e organizações vinculadas à agroecologia, carregam nas mochilas, além das barracas e colchonetes, experiências, desafios e propostas de caminhos alternativos para o modelo em curso.

Com o intuito de dinamizar as articulações, o fluxo de informações, a organização e o apoio mútuo nas diferentes regiões do país, a Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil, a REGA Brasil, vem construindo encontros regionais. O primeiro aconteceu em abril na região Centro-Oeste e o segundo aconteceu entre os dias 26 a 29 de maio na região Sul.

Resistência nas universidades: grupos autônomos de estudos e Núcleos de Pesquisa, Ensino e Extensão em Agroecologia

“Minha palavra é resistência”, diz Fabrício, estudante da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e segue dizendo que “desde o início eu percebi que os grupos de agroecologia nas universidades, nada mais são que resistência. Resistir e lutar por algo muito diferente do que está dado, do que a gente ouve na sala de aula. Eu estudo Biologia, mas eu convivo com a galera que faz agronomia na UFPel e a gente vive uma realidade das trevas. É, praticamente, proibido falar de agroecologia. Pensar uma nova ciência, pensar uma nova relação com a natureza, passa muito longe do que acontece. Por isso o Grupo de Agricultura Ecológica, o GAE, grupo que eu participo, é uma resistência na UFPel e acredito que todos os grupos e núcleos de agroecologia onde estiverem, são resistência”.

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Assim como Fabricio, vários outros estudantes compartilham suas angústias sobre a realidade adversa vivenciadas dentro das universidades. Fortalecer o ensino, a pesquisa e a extensão em agroecologia é desafio permanente. Ines Burg, da Diretoria da Associação Brasileira de Agroecologia, a ABA-Agroecologia, conta sobre a criação da Associação e os desafios enfrentados para que a agroecologia seja reconhecida e compreendida como ciência.

Em uma das rodas de conversa do ERGA-Sul, realizada no dia 28 de maio, Ines e Natália Almeida, que integra a equipe do Projeto de Sistematização de Experiências dos Núcleos de Agroecologia, coordenado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), e realizado pela ABA-Agroecologia nas cinco regiões do país, falam sobre a conquista

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das Chamadas Públicas para financiamento dos Núcleos de Agroecologia.

A partir dos esforços da ABA-Agroecologia e de um conjunto de apoios foi possível captar, a partir do extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), recursos de outros Ministérios e, com apoio do CNPq, realizar editais que aplicassem recursos em projetos voltados para a indissociabilidade entre a pesquisa, o ensino e a extensão em agroecologia. O primeiro edital foi lançado em 2010 e hoje são mais de 150 núcleos espalhados pelas universidades, institutos federais e entidades de pesquisa.

Sistematização de Experiências: O que estamos aprendendo juntos/as?

A roda de conversa “O que estamos aprendendo juntos/as?” no ERGA-Sul tem como objetivos ampliar o coletivo que, na região sul, vem se dedicando a articular e sistematizar as experiências movimentadas pelos Núcleos de Agroecologia e construir espaços de formação e troca de experiências sobre as metodologias de sistematização. A participação dos estudantes, em muitos casos, os principais protagonistas das experiências de extensão realizadas pelos NEAs junto às comunidades rurais, é fundamental para que as iniciativas e os olhares da juventude estejam presentes.

Na oficina, o diálogo mais próximo com os movimentos sociais, a necessidade de atividades práticas, como os mutirões, a organização estudantil e as metodologias educativas populares apareceram como caminhos possíveis para o fortalecimento da agroecologia na região sul, dentro e fora das universidades.

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Trocando experiências sobre a sistematização, a oficina lembrou que a sistematização envolve processos históricos e sociais dinâmicos que estão em permanente mudança e movimento. Um de seus pilares é a valorização dos saberes das pessoas que são sujeitos destas experiências. Envolve investigação e avaliação, mas contempla a narração dos acontecimentos, a descrição dos processos, a escrita de memórias, a classificação de tipos de experiências e a ordenação de dados em uma interpretação crítica da realidade vivida.

Re-conhecer e Integrar
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O objetivo deste primeiro ERGA-Sul foi facilitar o  reconhecimento dos diversos grupos de agroecologia da região, sejam eles vinculados às universidades ou independentes, para fortalecerem-se enquanto uma rede de articulação regional, com suas pautas, demandas, ações e agendas próprias. O evento é considerado, “um marco para o enraizamento da REGA Brasil no sul do Brasil que, com a realização dos próximos encontros, pretende alavancar a organicidade e as articulações, tanto localmente (localidade dos grupos anfitriões dos eventos) como regionalmente, bem como conectar cada região do país a fim de tecer a articulação nacional”, é o que diz Mariana Reinach, também da REGA.

No I ERGA-Sul, como nos demais encontros da REGA, todos os participantes, além de terem a oportunidade de trocar experiências, ideias e práticas, vivenciaram quatro dias de imersão, compartilhando o convívio e a gestão comunitária do encontro em suas diversas dimensões: no preparo das refeições, na organização e limpeza dos espaços, na transparência em relação aos recursos financeiros para custeio do evento, no manejo dos resíduos gerados durante o encontro, na proposição de oficinas e de espaços artísticos e musicais, nas decisões em consenso, na comunicação compartilhada para registro do encontro como um todo, e assim por diante. Mariane e Tatiana, reforçam que foram momentos de inspiração, de aprimoramento organizacional, pessoal e metodológico, de florescimento de novas ideias, e de muito aprendizado com-partilhado, na busca constante pela coerência daquilo que se idealiza com aquilo que se vive, para elas “Resistência, Re-existência!”.

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Mariana, aponta ainda que “como um primeiro passo de uma longa jornada de vida, rumo à potencialização e dinamização da atuação conjunta através da Agroecologia, a REGA Brasil, tão jovem quanto suas/seus integrantes, se sente revigorada e com a inspiração renovada a cada encontro e partilhar! Juventude enquanto estado de espírito e opção política! Temos jovens desde os mais novos até os com mais anos de caminhada e experiência”. Os ERGAs acontecerão anualmente e serão sediados de forma rotativa pelos estados. Na região sul, o próximo será em Pelotas/RS em 2017, tendo o Grupo de Agricultura Ecológica, o GAE-UFPel, como focalizador do processo.

“Se a gente não trabalha em rede, a gente não se encontra”

É o que reforça Tatiana Furquim, uma das articuladoras da REGA na região sul, segunda ela, “as práticas da REGA vem apontando a importância da organização dos grupos. Se a gente não trabalha em rede, a gente não se encontra”. A oficina, assim como todo o ERGA-Sul, destacou a importância do trabalho organizado e em rede. Como exemplo, duas pesquisas de mestrado vinculados à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e realizadas tendo como fio condutor metodológico, a sistematização de experiências, foram identificadas ao longo da oficina. A identificação e articulação de ações comuns, como as duas dissertações de mestrado, demostram a importância da agroecologia ampliar e qualificar seus canais de comunicação e articulação.

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As ações do próximo período do projeto de Sistematização, serão dedicadas à construção dos Seminários Regionais de Sistematização de Experiências. Estes serão momentos presenciais importantíssimos de formação e articulação regional dos NEAs. Os seminários terão como objetivos principais: a) Proporcionar espaços de formação sobre a sistematização de experiências, b) Possibilitar a troca de experiências sobre a sistematização entre os núcleos e parceiros regionais, c) Exercitar coletivamente o uso de diferentes ferramentas e estratégias de sistematização, d) Fazer a definição conjunta de pelo menos três experiências que serão aprofundadas pelo Projeto, e e) Elaborar planos de sistematização para os três casos definidos.

Em cada região, coletivos de sistematização estão se formando com a participação de representantes dos projetos das Redes de NEAs (projetos de atuação regional), dos núcleos e de parceiros regionais, para construção conjunta nesses seminários e desenvolvimento das demais ações de sistematização de experiências. No diálogo com a região Sul, a segunda semana de agosto e o estado do Paraná, pelo maior número de NEAs, foram indicados como períodos e locais possíveis para a realização do Seminário Regional Sul que deve acontecer na segunda semana de agosto no Paraná.

Para saber mais: sistematiza.aba@gmail.com

Este texto foi feito de forma colaborativa por: Mariana Reinach, Tatiana Furquim e Natália Souza

Fonte: http://aba-agroecologia.org.br/wordpress/?p=2603

Integrar para não entregar: agroecologias do Sul

Re-conhecimento e re-existência no I ERGA Sul – Encontro Regional de Grupos de Agroecologia da região Sul

Por Michele Torinelli

 

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pequenas formigas 

plantam o corpo 

do mundo

[Versos de Nathalia Drumond, do curso de Agroecologia da UFPR Litoral, inspirado no encontro. Registros poéticos.]

 

Camping do Parque Estadual do Rio Vermelho. Florianópolis. Santa Catarina. Brasil. América Latina. Mais de duzentos grupos e pessoas se reuniram de 26 a 29 de maio para trocar experiências e fortalecer a rede agroecológica no sul do país. A articulação é focalizada pela REGA – Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil, que representa as juventudes na ABA – Associação Brasileira de Agroecologia.

O clima foi de celebração, mas também de denúncia e de chamado à organização: denúncia do golpe à democracia, do governo ilegítimo de Michel Temer, do desmonte do Ministério do Desenvolvimento Agrário, bem como dos retrocessos nas políticas públicas para as mulheres, para os agricultores e de caráter social como um todo. A chamada é para que os movimentos afirmem suas ações e integrem suas lutas – para não entregar as conquistas. É hora de, mais do que nunca, resistir. E re-existir.

A proposta do encontro regional surgiu no último ENGA – Encontro Nacional dos Grupos de Agroecologia, realizado em agosto do ano passado em Belém do Pará. A galera de Floripa que estava lá presente fez a frente de criar as bases para a concretização do evento, a partir da construção coletiva, da autogestão e da horizontalidade – princípios que guiaram não só a preparação, mas também a dinâmica durante o encontro.

Mais de cem pessoas acampadas, autogestionadas, cuidando do preparo dos alimentos orgânicos, da limpeza, da harmonização, do registro e da realização das atividades. Rodas de conversa, de abraços, de avisos, de música e de capoeira. Oficinas, debates, trocas diversas. Quatro dias intensos nos quais grupos experientes se renovaram e novos grupos se formaram. Em que pessoas de 2 a até mais de 70 anos interagiram por uma vida radicalmente sustentável, alegre e colaborativa, para todos e por todos. [Veja fotos das gentes e grupos agroecológicos aqui].

 

Movimentos sociais e agroecologia

O encontro contou com dois debates oficiais (porque informais foram vários), ou ‘espaços de diálogo’: Áreas protegidas, Agroecologia e Comunidades TradicionaisMovimentos sociais do campo e a resistência agroecológica. No primeiro falou-se sobre legislação ambiental, e a principal pergunta que ficou foi: legislação para quem? Percebe-se que há várias restrições preservacionistas que impedem as comunidades tradicionais de reproduzir seu modo de vida em meio à natureza, levando-as às periferias dos grandes centros urbanos na luta pela sobrevivência, enquanto há fartos incentivos oficiais à propagação de uma agricultura ecologicamente e socialmente destrutiva – o chamado ‘agronegócio’. Leis que inviabilizam as culturas tradicionais e a agricultura familiar, mas que subsidiam a monocultura decommodities à base de veneno para exportação.

“A presença humana é prejudicial à natureza? “, questionou André ‘Chitão’ Martins, do Cepagro – Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo. Não necessariamente. Ele conta que o Parque Estadual do Rio Vermelho, onde se localiza o camping gerido atualmente pelo Cepagro, antigamente era uma área quilombola – o Quilombo Vidal Martins. O parque, um dos primeiros estaduais, tem 50 anos, e o camping, 40. Um lugar histórico.

Na época em que era habitado pelos quilombolas, a vegetação era composta por restinga e roça de subsistência. Na década de 60, com a demanda por madeira e a araucária já escassa de tanta extração, o governo expulsou a comunidade e plantou pinus. Hoje a praia do Moçambique, no Rio Vermelho, é margeada por uma extensa plantação de pinus, que se sobrepôs à vegetação original.

Esse é um dos muitos exemplos que comprovam que a presença humana, em harmonia com a natureza, pode ser até mesmo benéfica para o meio, como frequentemente demostram as comunidades tradicionais – e eis o desafio que o Cepagro assumiu no camping, migrar para essa lógica por meio da agroecologia. Já o inverso também fica comprovado: como políticas socialmente e ecologicamente irresponsáveis, que visam somente demandas comerciais a curto prazo, intervêm negativamente, e muitas irremediavelmente, na natureza.

Como enfatizou Bruna Amante, do Coletivo UC da Ilha, não dá para discutir agroecologia sem fazer o enfrentamento ao sistema político que está dado. E é preciso rememorar que a agroecologia não é algo novo, mas a retomada de velhas práticas marginalizadas, como defende Natália Almeida Souza, representante da ABA – Associação Brasileira de Agroecologia.

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Representantes de movimentos sociais no campo: Ocupa Amarildo e MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Apesar das diferenças, unidos na luta pela agroecologia e contra o sistema capitalista.

O segundo debate, que reuniu integrantes de movimentos sociais e comunidades agroecológicas, enfatizou a necessidade de intensificar e conectar as ações no atual momento político. Leandro Lavratti, da Comuna Amarildo, movimento que surgiu em Florianópolis em 2013 e que atualmente ocupa uma área com mais de 20 nascentes e cinco rios em Águas Mornas, explica que trata-se de uma ocupação agroecológica de resistência que bate em quem tem que bater: o sistema capitalista.

“A gente descobriu que as terras haviam sido griladas na cara dura e ocupou”, diz Leandro. A comuna não faz parte do MST. Entre outras diferenças, os Amarildos não dividem as áreas em lotes, mas coexistem em uma grande área comum. Mas Leandro, que é filho de assentado do MST, destaca que não se trata de disputar qual movimento é melhor, mas de somar na luta por terra, trabalho, teto e liberdade.

Como relata Elis Rodrigues, que também falou em nome do movimento, a ocupação em Florianópolis chegou a abrigar 740 famílias – o que comprova a demanda por moradia na cidade. Com a mudança para Águas Mornas, o número de famílias reduziu drasticamente, mas a Comuna continua articulada com uma grande rede de apoio: a ideia é expandi-la para que abarque as demais ocupações na região e os quilombolas, pois trata-se de uma luta conjunta pela terra.  [Conheça a história da Comuna Amarildo aqui].

Tanto Elis quanto Leandro convidaram a todas e todos a visitar a Comuna, participar de mutirões e convocar os Amarildos para compor outras lutas – afinal, é sempre necessário articular os movimentos, mas, frente ao cenário atual, é urgente. “A tensão é inevitável, mas a gente nunca acreditou que a mudança viria de cima”, avalia Neiva Viera, agricultora do assentamento Justino Drazewske, do MST-SC. Ela conta que o MST está intensificando suas articulações, mas que sempre foi um movimento ousado. “O vermelho da bandeira não é por acaso, não é porque é bonito. Mas porque teve muito sangue derramado nessa luta pela reforma agrária”, argumenta. “As principais armas do MST hoje são a produção de alimentos saudáveis e a ocupação do saber”, complementa Neiva.

A agricultora fez um chamado para que nos próximos encontros regionais de agroecologia haja agricultores também acampados e que os alimentos consumidos durante o evento provenham deles. “Que enfrentemos o desafio dessa organização conjunta”, disse ela, colocando-se à disposição.

Thomas Enlazador, um dos fundadores do IBC – Instituto Biorregional do Cerrado e integrante da CASA – Conselho de Assentamentos Sustentáveis da América Latina, acredita que estamos frente a uma oportunidade histórica de declarar territórios autônomos, como fizeram os zapatistas mexicanos em Chiapas, em 1994. “Precisamos colar junto com os movimentos, com as comunidades indígenas e quilombolas, e ir pra cima. Colar junto com os movimentos secundaristas que estão revolucionando as escolas nesse país”, convoca. Ele defende que não dá pra falar em sustentabilidade sem uma crítica consistente ao modo de produção capitalista, ou acaba-se esvaziando o termo, algo bastante comum nos dias atuais.

 

Uma outra cultura de comunicação é possível

Como era de se esperar num evento colaborativo e autogestionado, foi possível propor atividades previamente, junto ao formulário de inscrição. Sugeri realizar a oficina Uma outra cultura de comunicação é possível: cobertura colaborativa, guerrilha midiática e direito à comunicação. Como militante da democratização da comunicação, vejo a importância estratégica dessa pauta transversal, essencial para que todas as outras sejam disseminadas e para que todas as discussões aconteçam de maneira diversa, plural e democrática. Ou seja, trata-se de uma luta para viabilizar todas as outras lutas. O MST e a perseguição que sofre por parte da mídia de massa, assim como as lutas sociais como um todo, que o diga.

Sugeri um debate a partir desses três vídeos: 1. Levante sua voz – A Verdadeira história da mídia brasileira, 2.  Guerrilha midiática, 3. Cultura – da universidade às ruas, para então sairmos com uma proposta de cobertura colaborativa do encontro. O primeiro vídeo apresenta o concentrado panorama da comunicação do país; o segundo, a natureza estratégica da comunicação para os movimentos sociais (acabou não rolando esse, fica para a próxima); e o terceiro é um exemplo do que pode ser feito a partir de uma cobertura colaborativa, disseminando conteúdo a partir de outros formatos.

 

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Mapa conceitual da roda inicial de apresentação – parte da ‘assessoria colaborativa’ do evento. Coisa da Mariana Bianchini, que estuda História na Udesc.

Propus para a galera da organização pensarmos essa oficina conjuntamente, tendo em vista uma prática de comunicação compartilhada durante o evento, possibilitando a criação de uma outra cultura de comunicação, participativa e colaborativa, e o registro do encontro, de modo a garantir sua memória – a história comum contada por seus participantes.

Em conversa com organizadoras ao chegar ao local do evento, percebemos que a proposta vinha justamente a calhar com uma ideia que tinha surgido horas antes: além de se ter os eixos rotativos autogestionados de limpeza, alimentação, harmonia e realização das atividades, surgiu a ‘assessoria’, responsável por registrar o evento. Não se sabia ainda bem como, e decidimos discutir as possibilidades na oficina de comunicação compartilhada.

A conversa aconteceu na primeira noite do evento para que a comunicação pudesse compor o encontro desde o começo, e registrar as outras atividades. E assim tivemos uma grande roda com mais de trinta pessoas e coletivos para pensar e discutir que comunicação queremos e podemos fazer. Alguns questionamentos surgiram: como romper o muro da desinformação? Como transcender a lógica da comunicação como negócio? Como disseminar as experiências de transformação a partir de uma outra cultura de comunicação?

A partir dessa conversa e da prática de assessoria, o encontro contou com relatoria colaborativa, sínteses das atividades em cartazes pendurados pelo espaço comum, muitos fotógrafos, um documentarista (aguardamos o doc!), poetas e por aí vai. Esse texto, inclusive, faz parte desse laboratório de comunicação compartilhada, em que não importa só transmitir informação, mas comopor quê.

Essa história de comunicação compartilhada surgiu em 2001 no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, tendo em vista que a construção de um outro mundo possível deveria não só ser divulgada, mas, para vir a existir, precisaria engendrar uma outra cultura de comunicação. E assim surgiu a Ciranda. Em Curitiba, em meio ao Festival de Cultura, o coletivo Soylocoporti, junto a diversos parceiros, desenvolveu essa proposta em seus laboratórios de comunicação compartilhada, e o resultado da experiência pode ser conferido no documentário e na revista do Festival.

Fiquei muito feliz com a experimentação e com as possibilidades que se abrem para que elaboremos criativamente e colaborativamente nossa comunicação, transversalmente às mais diversas lutas. É só o começo. Que os laboratórios se multipliquem e que, frente à monocultura da mídia de massa, tenhamos uma comunicação cada vez mais diversa, sustentável e, por que não, agroecológica.

Oficina de bioconstrução de geodésica de bambu

Oficina de bioconstrução de geodésica de bambu

Várias oficinas foram realizadas, como a disputada conversa sobre astronomia e biodinâmica com o Mario Barbarioli, nosso jovem mais empolgado e experiente; permacultura vegana; compostagem; bioconstrução de geodésica de bambu; panificação artesanal e fermentação natural; PANCs (Plantas Alimentícias Não-Convencionais), entre outras.

Eu participei da oficina de confecção de zine como distribuição de material autônomo, facilita pela Luiza Damigo, que estuda Agroecologia na UFPR Litoral. A proposta tem tudo a ver com comunicação compartilhada – pra quem não sabe, zines são produções independentes artesanais de baixo custo e fácil reprodução. Pudemos discutir seu surgimento e evolução, conhecer algumas zines que a Luiza trouxe pra gente ver e criamos nossos pequenos exemplares. Descobrimos que com uma folha só é possível fazer um lindo caderninho que, desdobrando, vira um poster. E pudemos filosofar e poetizar e rememorar o quão complexo é retomar a simplicidade.

As fanzines, que surgiram da vontada dos fãs das histórias em quadrinhos de discuti-las por meio de publicações próprias na década de 30, transformaram-se em zines na década de 60, ganhando caráter político e independente

As fanzines, que surgiram da vontade dos fãs de histórias em quadrinhos de discuti-las por meio de publicações próprias na década de 30, transformaram-se em zines na década de 60, ganhando caráter político e independente

 

Despedidas e próximos encontros

Domingo (29) foi dia de plenária final, de redigir a carta do encontro, de desarmar barraca, carregar mochilas, de distribuir mudas de nativas e abraços de adeus – ou até breve. Também despedida da atuação no camping para o Cepagro, que geriu o espaço de maneira agroecológica nos últimos dois anos. O contrato com a FATMA – Fundação do Meio Ambiente, órgão estadual de gestão ambiental, não foi renovado. “É bem simbólico esse encontro pra gente”, disse Chitão.

Vida longa ao Cepagro e parabéns pelo belo trabalho! Já ouviu falar da Revolução dos Baldinhos? Então, esse foi só um projeto da iniciativa, e muitos outros virão. [Veja aqui a nota de despedida do Cepagro do camping].

O GAE – Grupo de Agroecologia da Universidade Federal de Pelotas assumiu a responsa de puxar a organização do próximo ERGA-Sul. Nos vemos ano que vem em Pelotas, pois! Ou, quem sabe, no próximo ENGA, que vai ser em dezembro na Paraíba.

Que, até lá, a rede se multiplique e se fortaleça – e siga semeando e cultivando a re-existência.

Imagem por Guilherme Fabrin

Imagem por Guilherme Fabrin

 

Fonte: http://vidaboa.redelivre.org.br/2016/06/03/integrar-para-nao-entregar-agroecologias-do-sul/