IV Sementário (2016)

Chamado aos Grupos de Agroecologia do Brasil para participação no IV Sementário da REGA Brasil – Tracunhaém (PE)

 

IV-Sementário-REGABrasil1

 

Com entusiasmo o grupo de Construção do IV Sementário da REGA Brasil convida aos Grupos de Agroecologia do Brasil para participarem deste espaço de organização interna da Rede, que também inaugura um movimento de maior inserção da REGA Brasil na Região Nordeste. O processo de construção do evento tem sido uma oportunidade de intensa aprendizagem, de mobilização, integração e (re)articulação entre as várias experiências e iniciativas regionais dispersas, no sentido da potencialização das mesmas por meio do apoio-mútuo.

DATA DO IV SEMENTÁRIO:

De 03 a 07 de setembro (Feriado/Grito dos Excluídos)

 

O IV SEMENTÁRIO

O Sementário é um espaço de estruturação da REGA Brasil que visa promover debates qualificados acerca de questões como nossa comunicação (interna e externa), temas de campanha, cronograma de atividades, da construção do Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia (ENGA) e dos Encontros Regionais (ERGAs), distribuição tarefas, avaliação de nossa atuação, troca informações entre os GA’s, almejando nossa afinação organizacional. Por isso, diferentemente do ENGA, este é um encontro introspectivo e reflexivo, menor e mais restrito, sendo ele representativo, visando um menor gasto energético com as estruturas que costumam demandar grandes eventos, focalizando esforços nas discussões necessárias à potencialização organizacional da Rede. Trata-se de um espaço reservado às pessoas e organizações que compõem e constroem a Rede para confabularmos sobre a co-construção da mesma. As/os representantes, provenientes dos Grupos de Agroecologia (GAs), serão enzimas catalisadoras* dos processos comunicacionais e organizativos da Rede, trazendo acúmulos dos GAs, das localidades e regiões para a articulação nacional em rede e vice-versa, potencializando o fluxo e a fluidez de informações e de agitação local <-> regional <-> nacional, promovendo e fortalecendo a integração entre as construções, lutas e enfrentamentos das diversas localidades e regiões.
Temos um limite de 60 vagas e os critérios para o seu preenchimento é a participação dos indivíduos (as enzimas catalisadoras) em coletividades organizadas que trabalham com Agroecologia e por isso damos ênfase para destinação de vagas à pessoas que atuem com e por coletividades. A cada coletividade inscrita, de preferência, de 1 a 3 catalisadorxs poderão participar. É claro que estes são critérios flexíveis e dependendo da situação específica de cada GA, o Grupo de Construção do IV Sementário pode avaliar, refletir, buscar outras soluções; mas, de fato, temos um limite estrutural (alojamento, alimento, infraestrutura para banhos, a própria capacidade ecológica de suporte por parte do sítio que nos acolherá, etc.) que limitam as inscrições em 60 as vagas. Assim, considerando que um único grupo mande 20 INDIVÍDUOS, excluiríamos a participação de pelo menos 10 COLETIVOS DE AGROECOLOGIA que estariam representados por 1 ou 2 indivíduos de cada Grupo, tornando o encontro menos plural e democrático. Contudo, GAs e comissões organizadoras como por exemplo a que receberá o nosso próximo encontro nacional, o ENGA, ou que receberão os próximos encontros regionais, os ERGAs, terão prioridade e poderão dispor de mais vagas.
Nos remetendo ao significado, metafórico ou literal, de Sementário: semear, fomentar, promover, infundir no ânimo, deitar e espalhar sementes na terra, alastrar – o presente evento trata-se de um momento ímpar de aproximação, conexão e difusão da REGA no nordeste, em particular com as coletividades de Pernambuco e arredores. Outro impulso à integração e enraizamento da rede no Nordeste será a realização de nosso VIII Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia, focalizado pelo Movimento de Educação do Campo e Agroecologia (MECA) da UFPB em Bananeiras na Paraíba, evento este previsto para ocorrer no fim do ano, em dezembro. Com relação à esse processo de conexão com as regiões, é importante mencionar que a REGA Brasil vem caminhando no sentido de promover anualmente Encontros Regionais de Grupos de Agroecologia (os ERGAs) com a intenção de conferir uma maior significação local à organização em rede, fomentar a união e consolidar os vínculos a partir da constituição de Articulações Regionais com o intuito de promover o apoio-mútuo e a solidariedade, a descentralização de seus processos organizativos, a fim de afinar nossa autogestão e dinamizar o fluxo de informações e de comunicação entre as coletividades agroecológicas da REGA.
O atual Sementário é determinante pois debaterá a REGA estruturalmente, particularmente devido à promoção dos Encontros Regionais, e poderá ressignificar e remodelar o próprio Sementário, bem como a Rede em seus diferentes âmbitos, espaços, metodologias e dinâmicas deliberativas. Separamos a programação por focos temáticos, sendo que: dia 2 (ou antes, para quem puder chegar e somar) será destinado à recepção e ao acolhimento dxs participantes – é importante considerarmos a ideia de chegar antes para estarmos ambientadxs a fim de que no fim de semana, dias 3 e 4, estejamos preparadxs e no pique para darmos conta dos debates referentes à REGA, que serão abordados nestas datas; dias 5 e 6 a proposta é debatermos a articulação local/regional, termos atividades relativas ao Sítio Ágatha bem como planejarmos uma possível participação no Grito dos Excluídos; dia 7 temos a proposta de participarmos do Grito dxs Excluídxs. Precisamos contemplar os encaminhamentos necessários à Rede no sábado e no domingo, considerando que o feriado será somente na quarta feira e talvez algumas pessoas não possam ficar nos outros dias durante a semana. Assim sendo, recomendamos às pessoas que virão ao Sementário que realizem reuniões pré-sementário junto à suas organizações de origem e parceirxs para o adensamento de ideias e tragam amadurecidos e sistematizados os acúmulos e encaminhamentos sobre as pautas que iremos tratar, bem como acúmulos referentes aos ERGAs; os temas que serão abordados estão pautados logo abaixo. Como sempre, essa proposta é flexível e, de acordo com a necessidade, podemos remanejar e remodelar a programação.
Convidamos à quem puder para que fiquem mais alguns dias após o evento para que realizemos mutirões e outras atividades no sítio. Há alguns anos atrás o Sítio Ágatha sofreu um incêndio que destruiu uma área de mata lá existente. Propomos deixar uma contribuição concreta para o local que tão bem nos está acolhendo. A proposta para este Sementário é que a cada barraca ou a cada participante plantemos, pelo menos, uma muda, ou seja, ao chegar no sítio a pessoa terá uma muda para cuidar até o momento do seu plantio. Neste sentido, pedimos à quem vier que nos tragam contribuições de mudas e sementes diversas. Abaixo, no item “O que trazer?”, colocaremos algumas culturas que o pessoal do sítio demanda. Esta foi uma ideia dada por Luiza, companheira do Sítio Ágatha, que nos inspirou a sugerir esta dinâmica para nossos próximos encontros (ENGAs, ERGAs, etc): cada participante dos encontros se responsabilizarem por, ao menos, uma muda e/ou semeadura de sementes, que deverá ser plantada no local que nos receberá.
Temas a serem tratados no IV Sementário e sugestões de questões a serem refletidas e debatidas:
– VIII Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia, Bananeiras/PB;
– Encontros Regionais de Grupos de Agroecologia: acúmulos, experiências, encaminhamentos regionais, organicidade, agendas comuns, avaliações;
– Pensarmos em nossa estrutura programática e organizacional em vista dos ERGA’s: como o Sementário ficará nos próximos anos em vista dos ERGAs? Dois eventos nacionais por ano pode nos sobrecarregar. Seria o caso de Sementários Regionais, durante os ERGA’s, como espaços qualificados para deliberações interna da REGA nas regiões, que então posteriormente seriam levadas e compartilhadas em âmbito nacional no ENGA?;
– Kombosa Me carREGA;
– GT JuventudeS;
– GT Comunicação REGA;
– Financeiro – caixa nacional e caixas regionais; autonomia financeira, quais as possibilidades?;
– Interlocução com outras entidades e organizações: ANA, ABA, etc;
– REGA Brasil e a articulação com a Rede de NEAs que tem se constituído nacionalmente – desafios e potencialidades;
– Brasília Agroecológica 2017: IX ENGA, X CBA, CLAA;
– como fomentar e aprimorar nossa autogestão? Seria o caso de a cada evento fazermos oficinas e introitos sobre o tema? Como aprimorarmos isso entre nós, xs integrantes da Rede que já estamos ambientadxs com esta abordagem?
* Enzimas Catalisadoras são representantes xs quais, empoderadxs e legitimadxs a partir dos acúmulos e deliberações de sua coletividade de origem, fomentarão o processo de co-criação da REGA Brasil.

O TERRITÓRIO:

O Sítio Ágatha é um espaço de produção agroecológica, militante das causas feministas e étnico-raciais, do consumo e da produção consciente, da luta pela construção do poder popular, da autogestão social no campo e na cidade, de uma visão de natureza integrada ao respeito e preservação do meio ambiente. O lote está dentro do Assentamento da Reforma Agrária Chico Mendes I, município de Tracunhaém, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. É gerida por Luiza Cavalcante Santos, mulher negra de 55 anos, e sua família, que chegou ao local em 1997 e desde essa época trabalha com Agroecologia. Após a regulamentação da terra pelo INCRA em 2005 a família vem fortalecendo o cuidado e cultivo da terra de maneira agroecológica. Com isso, o solo que antes era devastado por queimadas e colheitas da monocultura de cana de açúcar passou por um processo de franca recuperação e atualmente conta com uma diversidade de fruteiras, ervas medicinais, árvores nativas, flores e cultivos como milho, macaxeira e feijão. Também produzem mel e possuem uma criação de cabras. Em 2009 o lote, que tem cerca de 8,5 hectares, sofreu um incêndio criminoso que trouxe vários danos para seus moradores: comprometimento da alimentação, da produção de mel e da renda familiar, perda da biodiversidade animal e vegetal, inclusive da mata nativa, diminuição da qualidade e quantidade da água no local. Graças ao empenho e engajamento político da família, a situação está sendo revertida, principalmente na agrovila, local onde está localizada a atual sede do sítio. Uma estratégia adotada pelo Ágatha para potencializar a produção do local é a realização de mutirões mensais, que agregam várias pessoas interessadas na perspectiva agroecológica. Além do plantio, esses mutirões visam a estruturação do sítio através de técnicas de construção sustentáveis (taipa, bambu) e também aliam a formação política por meio de práticas culturais, como cineclubes e apresentações artísticas. Nestes 11 anos são várias as conquistas, mas ainda há muitos desafios a serem superados. O acesso à água ainda é uma dificuldade, assim como a falta de assistência técnica, acesso à crédito rural, educação contextualizada (incluindo o ensino médio), assistência médica, estradas, transporte e lazer. A ausência de políticas públicas para os assentamentos reverbera no sítio e mostra que a desapropriação de terras é apenas o primeiro passo para a efetivação da Reforma Agrária.

Abaixo um vídeo sobre o processo de luta pela terra do Assentamento da Reforma Agrária Chico Mendes I, aonde o Sítio Ágatha está inserido.

INSCRIÇÕES E LEVANTAMENTO DE RECURSOS

ATENÇÃO! As inscrições a R$40 foram prorrogadas até dia 20 de Agosto. Pedimos para que, ao menos o preenchimento do formulário de inscrições, sejam logo realizadas para que possamos ter ideia da quantidade de pessoas virão, assim como pedimos para que tão logo sejam pagas as inscrições para que possamos investir na estrutura para recebê-las/os.

A inscrição tem um valor mínimo necessário de R$10,00/dia, total RS40,00/pessoa. Lembramos que esse Sementário não conta com o auxílio financeiro de nenhuma outra instituição e que a REGA levanta recursos para o custeio de seus eventos por meio das inscrições. Sendo assim, os valores das inscrições serão:

  • do dia 20 à 31 de Julho – R$30;
  • de 1º à 15 de Agosto – R$40;
  • de 15 à 31 de Agosto – R$45;
  • de 1º de Setembro à data do encontro R$50.

As inscrições são necessárias para a aquisição da alimentação e de itens infraestruturais necessários à recepção do evento por parte do sítio. Elas devem ser realizadas através do preenchimento da FICHA DE INSCRIÇÃO e do pagamento do valor da mesma. Após o preenchimento do formulário e o pagamento da inscrição, o COMPROVANTE DE PAGAMENTO DEVE SER ENVIADO AO E-MAIL DA REGA (regrabrasil@gmail.com) para a validação da inscrição. A conta para o depósito está disponível logo no começo do formulário de inscrição.



O QUE TRAZER?

Em Setembro não costuma mais ser época de chuvas em Pernambuco, mas sugerimos que xs participantes venham preparadxs para a possibilidade de chuva, considerando a instabilidade climática que enfrentamos atualmente. Tragam equipamento de camping,  rede com mosquiteiro, roupas leves (aqui faz calor!) e roupas de trabalho, incluindo calça e bota para proteção da perna, chapéu/boné e itens de proteção para o sol, repelente, se possível ferramentas de trabalho (facão, enxada, etc), lanterna, guarda chuva e/ou capa de chuva. Não esqueçam seus talheres, prato e copo e seus produtos de higiene pessoal, de preferência com ingredientes naturais.

Teremos uma cozinha coletiva para o preparo dos alimentos e a ideia é que todos os grupos tragam alimentos das suas regiões para compartilharmos: sementes, tubérculos, processados, temperos e aromas de todos os cantos do Brasil para contribuir com a alimentação. A campanha Plante a REGA intenciona estimular que os grupos plantem os alimentos destinados a serem colhidos para o encontro e/ou tragam os conseguidos com xs agricultorxs de suas respectivas regiões para compartilharmos a diversidade de saberes e sabores no momento do encontro.

Teremos uma Feira de Troca de Sementes Crioulas e além disso temos demanda por parte do Sítio que nos receberá por mudas e estacas de diversas qualidades de bananeira, coco, macaíba, caju, goiabeira, acerola, cupuaçu, jussara, PUPUNHA, mandioca, inhame, entre outros e de sementes no geral, especialmente de diferentes qualidades de FEIJÃO e MILHO.

CARAVANAS AGROECOLÓGICAS

Como chegar ao IV Sementário? Através das Caravanas! As “Caravanas Agroecológicas” são uma dinâmica de mobilização solidária para viabilizar o transporte das pessoas rumo aos espaços e eventos Agroecológicos. A ideia é que entre o ponto de partida e o ponto de chegada, as pessoas ao longo deste percurso possam aproveitar esta carona e integrar as caravanas, viabilizando o transcurso, estimulando o apoio mútuo e a solidariedade entre os coletivos. Por exemplo, em 2013, o pessoal do Sul – Grupo UVAIA de Porto Alegre – conseguiu um ônibus e no percurso até o Rio de Janeiro, foi recolhendo pessoas de diferentes localidades e Grupos ao longo do caminho, viabilizando e ampliando a participação de uma maior diversidade de coletivos. O ônibus saiu com mais ou menos 20 pessoas de lá, e chegou ao destino com 47 pessoas!

Nem sempre isso é possível com os ônibus das Universidade/Faculdades, mas devemos nos esforçar em construir as Caravanas, buscando alternativas. O aluguel de transporte coletivo (ônibus, vans), a carona em veículos particulares, todas as formas de solidarizar e coletivizar o transporte tem confirmado a regra: a união faz a força, a união é a força!

Formulário de caronas:

https://docs.google.com/spreadsheets/d/17p0UZ2EO3L1XsBoD8Q62IXUjvasH_HnFXUFMpHjwvRM/edit?usp=sharing

MENSAGEM FINAL AOS ELOS DA REGA

Nosso corpo nos dá um ótimo exemplo de como o cosmos e a ecologia costumam funcionar – em sinergia, trabalho coletivo, autogestão, com-partilhamento e solidariedade. Ele é constituído pela integração de células, microrganismos, órgãos, sinapses, hormônios, etc, cada qual com sua função e especificidade, sem hierarquia de funções e importância, sendo cada atividade e função essencial ao todo, e qualquer um que não desempenhe sua função à contento irá repercutir no todo – no corpo, no organismo. Nessa socioecologia natural, sem hierarquia de importância, todxs são imprescindíveis na constituição do TODO que é o corpo, seja qual for esse corpo, seja um corpo antrópico, seja vegetal, seja Pachamama. Cada umx de nós assim deverá se sentir: imprescindível para o processo, seja qual for sua contribuição – por “mínima” que pareça.

Todxs somos responsáveis por plantar e colher a REGA Brasil, mas pra isso precisaremos nos Unir, coletivizar responsabilidades e assumir conscientemente as tarefas. Coração, braços e mentes devem estar conectados em prol desta co-construção; a disciplina consciente, assim, é diferente de uma disciplina alienante ou desinteressada, e advém das necessidades que urgem das demandas comunitárias para a edificação dos sonhos coletivos; o voluntarismo aqui, não quer dizer espontaneidade aleatória e individualista, mas significa a disponibilidade consciente das pessoas para com o trabalho e a união. É com este espírito que almejamos construir este Sementário, assim como a REGA Brasil, o Movimento Agroecológico e uma vida mais justa, igualitária e solidária em sociedade!

Contatos:
regabrasil@gmail.com
Tatiana (81) 9 9614-9966/ zap: (41)9728-3373
tatiana@motiro.org
Alana – (19) 9 9988-0583 (vivo, tem zap)